23 junho 2017

Amor por todos os poros

Vi-te passar ao acaso
Na minha vida
Enquanto me repetia
Enquanto me repetia

Enquanto me repetia novamente
Passando eu proprio na minha vida
Ao acaso
Sem me ver passar.

Tenho amor em todos os poros
E agora suo ofegante
O cansaço passou
A energia agora é mais pura

Flutuo no mar calmo que me envolve
Voo pela brisa de verão
Durmo no macio manto de neve
E sonho.

Tenho amor em todos os poros e só assim não me repito.

14 março 2017

Vim aqui por ti amor


Parece-te uma palavra pesada amor, meu amor.
Mas vim aqui por ti amor.
Trouxe a minha cara mais inexpressiva,
Só a inexpressão pura é capaz de te alhear dos meus medos.
Meu amor.
Trouxe junto aos medos um fardo
Ter-te visto com os olhos chorosamente rejubilantes
Ter-te cheirado a essência.
Sei ter sido a tua essência que eu imaginei.

Vim té aqui apenas porque podias estar aqui.
Aperta-me o coração como se tivéssemos 12 anos e eu fosse até à entrada da escola, era a hora precisa a que chegava o teu autocarro, e eu tremia. O maior terramoto do mundo não me abalava naquele momento, mas eu tremia, a minha respiração tremia.
Tu podias apenas estar aqui, aqui de todos os lugares do mundo. E eu nem sei se vens aqui amor. É um lugar seco, mesmo com a brisa primaveril do rio, é seco.
Porém, basta imaginar-te um sorriso, aquele de olhos esguios tão teu quando me fitas.

É quente imaginar-te, mesmo de ombros descobertos e luz fraca, pela noite é quente imaginar-te.

Fracassam-me os elogios e a realidade dos mesmos é imensa. Mas dos elogios, como do resto, a realidade esconde-se e não se conta. Apaga-se em palavras parcas e vãs. Em sorrisos corriqueiros e desculpas para nos desculparmos de não realizar a realidade que nos entranha, nos esventra como uma faca afiada espetada no peito rasgando obliquamente a caixa torácica e nos afaga ao mesmo tempo o espírito.

Por isso vim até aqui amor.
Podias estar aqui.

02 fevereiro 2017

Gostava de te lamber a lágrima da cara.

Gostava de te lamber a lágrima da cara.
Aquela que soltas ao emocionar-te com a felicidade pura de qualquer coisa palerma, exageradamente palerma, que te faça feliz, estupidamente feliz.
Esporrava-te a cara de metáforas, antíteses e hipérboles e nem toda uma banheira branca era poesia suficiente.
No auge de toda a pseudo-intelectual poesia de de duas e meia de uma noite em claro que me invade surge a ousadia de te querer mais do que nunca aqui comigo. 
Só a estar aqui.
Para te lamber a lágrima da cara.
passar a tua pele lentamente pelas minhas mãos. 
Muito de leve.
Rimar suspiros
com acanhados sorrisos.
E deixarmo-nos estar. 
Só estar.
Amo-te, acho que é isso.
Se não for lamber-te-ia na mesma a lágrima da cara,

17 novembro 2016

Um ser nu

O corpo num cansaço libertador de uma explosão silenciosa e ruidosa e silenciosa e ruidosa e e e e e e e ou estar a ir ser o ir ser o avanço e o recuo para a frente. Um querer partilhar, um querer que é só em si. Uma pausa. Uma música bonita. Um respirar e sentir o teu cheiro na multidão. Essa putrefacção imunda do suor que se enfia pelas narinas com uma beleza felina. Reconhecer o âmago de outrora agora vazio e estar todo: ser completo complexo perplexo pelo redor. Pelo redor mental, imaginário e o redor tão físico e palpável. Corpos que se jogam, corpos aquecidos esquecidos de si e jogantes. Brinquedos felizes concentrados, tensos e relaxados, que aguardam o inesperado trazendo-o. Uma lembrança de nós traz uma descompensação na concentração de há pouco. Uma espécie de vergonha de estarmos tão nus que nem nós somos. Um ser nu que é ele. Um ser nu que não é ele. Outro que não tem de ser um ele. Um ser nu, que não é ele.

05 setembro 2016

A distância física de ti

Numa epifania percebi que estava de ti a uma distância superior àquela a que estás de mim. Tão simples como isto: eu estou mais longe de ti que tu estás de mim. E tu estás mais perto de mim que eu de ti.
Tenho os teus olhos meigos a exactamente meio milissegundo de imaginação de distância e tu tens os meus olhos evadidos e fixos a cerca de 23 minutos e meio. Trata-se de uma mera estimativa conseguida através do estudo das reacções que a mim exclusivamente são oferecidas. A maioria delas imaginárias, mas, devo dizer, que as minhas favoritas são as gargalhadas que, apesar de com esforço para tal, não são contidas num simples sorriso. Ah! Gosto mesmo. Fico deliciado nisso. Aqueles trejeitos de gargalhada são preciosidades a que as mais belas paisagens se gostaríam de poder comparar. E as mais belas jóias. São esgares de felicidade pura e tua.
Mas tu tens a minha voz tão longe... estará a umas semanas de ti. Morde-se de medo antes de se aproximar. Há quem diga que seja por timidez. Outros afirmam que é preguiça. Eu sinceramente acho que é mania da perfeição e brio. Tem de sair bem afinada: nem uma nota acima, nem meio tom abaixo da música que passa e, claro, no tempo certo... não queiramos que os diapasões da vida se desacertem. Seria um caos ter de fazer ajustes e afinações no meio do espetáculo. As ondas sonoras são definidas matemáticamente e a frequência tem de ser a correta. Está a umas semanas de distância, meses anos, bom...
O tempo é relativo, foi Einstein que o disse, façamos com ele a felicidade possível dentro das leis da física. Dás-me a mão e vamos?